O mercado de luxo é igual no Brasil e no resto do mundo. Ele representa a democratização ao acesso de produtos exclusivos a uma grande parte da população. Ao desestimularmos a comercialização deste segmento no Brasil, estamos estimulando o brasileiro a usar suas viagens de lazer como momento de consumo, pois ele acaba usando o tempo que poderia ser aproveitado na ampliação de conhecimento e cultura para fazer compras no shopping, gerando empregos e investimentos fora do Brasil.
É uma característica do ser humano a busca da diferenciação na hora de se premiar por um esforço extra, buscar um presente para si mesmo ou para a pessoa querida. Isto não significa um simples desejo de ostentar, mas um sentimento muito natural e humano de querer ser reconhecido como único. O luxo se concentra nisto: pequena produção em nichos, se diferenciando dos produtos de maior consumo.
Como sabemos, o Brasil é especializado na grande escala. Somos mestres na manufatura de produtos em série, que devem servir à nossa população de mais de duzentos milhões de habitantes. Nossa indústria automobilística está aí mostrando sua capacidade em competir e sua pujança, assumindo a sexta posição na produção de veículos. O Brasil não precisa se especializar em nichos de mercado com produção artesanal e em pequena escala, devendo-se focar no maior volume de produção onde o país consegue diluir melhor seus custos, tornando-se mais competitivo.
Isto vale para a confecção, calçados, acessórios e diversos outros mercados, onde os produtos de luxo se apresentam como a cereja do bolo. Tem pequena representatividade, mas aparece muito.
De fato, os produtos de luxo têm grande visibilidade no mercado, mas pouco peso no PIB brasileiro. O que podemos dizer da representatividade da venda de Ferrari em comparação com o Gol? Quase nada. E costumes da Ermenegildo Zegna em comparação com nossas camisetas Hering? Muito pouco. Porém, a visibilidade destes poucos produtos de luxo é enorme no mercado e servem de parâmetro para uma maior especialização em nossas indústrias, objetivando a melhora da qualidade dentro de um custo acessível. Este é apenas um dos benefícios em termos os produtos de luxo disponíveis dentro de nosso mercado. O comportamento das grandes marcas de luxo nunca será predatório, atrapalhando a nossa indústria, ele será apenas complementar, estimulando o desenvolvimento de novas e melhores tecnologias em nossas fábricas locais.
No entanto, devido a esse pequeno peso em números absolutos em comparação ao mercado de consumo, o mercado de luxo se vê prejudicado por diversas dificuldades tributárias no país, principalmente quando se considera a concorrência, muitas vezes chamada de desleal, da China.
A China vem como um bom exemplo quando falamos das diferenças entre o mercado de luxo e o mercado de consumo. Infelizmente as enormes diferenças entre ambos os países proporcionam grandes diferenças no custo de fabricação de produtos similares entre Brasil e China. Ambos os países são especializados em produção em massa, porém com cadeias de custos muito diferentes, gerando uma competição predatória contra o Brasil. Seguindo o exemplo da indústria automobilística, o Brasil vinha tendo bons resultados em sua produção enquanto recebíamos automóveis produzidos na Europa, Estados Unidos e Japão. Quando começamos a receber carros da China e outros países em desenvolvimento, a nossa indústria sofreu com a incapacidade de concorrer em preço com alguns destes produtos, apesar de a nossa qualidade ser visivelmente superior. O consumidor não estava preparado para julgar a qualidade antes de conviver por alguns anos com alguns destes produtos e suas desvantagens qualitativas em comparação ao tradicionalmente produzido aqui, aprendendo que a baixa qualidade pode custar muito caro ao longo dos anos de uso.
Visando proteger-se desta concorrência predatória, o Brasil precisou programar novas barreiras que acabam por sacrificar ou extinguir a capacidade de sobrevivência de pequenos fabricantes do chamado mercado de luxo – ou podemos chamá-los de nicho – que concorrem de maneira positiva com os produtos nacionais, conforme exposto acima.
Portanto, para proteger a nossa indústria de calçados de similares feitos na China, podemos acabar com a perspectiva de brasileiros consumirem calçados feitos na Europa, comprando-os em lojas no Brasil. Isto leva estas empresas a abrirem showrooms em nosso país, na certeza que nossos consumidores viajarão ao exterior e lá consumirão os seus produtos.
Isto vale para todos os produtos do mercado de luxo, afinal a China tem capacidade de produzir praticamente tudo. Relógios, carros, canetas, vestuário, calçados, entre outros, acabam sobretaxados em nosso país em função da China, levando nossos consumidores a serem os maiores compradores no varejo em viagens de turismo. Eles batem recordes de compras a cada ano levando para fora do Brasil empregos, investimento em lojas e shoppings, além de impostos e divisas que apenas beneficiam os mercados visitados, deixando o Brasil como um grande showroom para esses mercados estrangeiros. Este efeito colateral vem colocando o Brasil cada vez mais distante de se mostrar como a economia aberta que é, forçando-nos a ouvir de outros governantes que somos protecionistas, quando sabemos que não somos mais protecionistas do que os que nos acusam. Todos esses drawbacks poderiam ser solucionados por um Governo Federal mais consciente sobre a importância e participação do mercado de luxo na economia.
Até este momento, o Governo Federal não analisou o impacto de nosso mercado na economia nem no retorno de imagem que traria ao Brasil, por nos ver como um mercado de nicho, com pequeno volume. De fato, somos um mercado de nicho, mas com grande visibilidade e muito atraente. Os brasileiros têm viajado cada vez mais e gastado seu tempo e dinheiro em produtos do mercado de luxo. A cultura do consumo destes produtos, com o reconhecimento da importância dos valores permanentes e o apreço pela excelência na qualidade, está arraigado nos hábitos do nosso consumidor. Ele sabe o que quer e quanto vai gastar, ele é informado e viaja ao exterior com certa freqüência para o seu lazer. O Governo Federal tem todas as ferramentas disponíveis para mudar este quadro. Protegendo a indústria nacional da concorrência predatória e desigual vinda de produtos fabricados e exportados pela China e permitindo que o cidadão brasileiro consumisse produtos de qualidade vindos destes pequenos mercados de nicho no Brasil, gerando empregos, maior arrecadação de impostos e maior estímulo em investimentos voltados ao comércio. É importante observar que o número de empregos gerado na cadeia produtiva destes produtos é muito pequeno quando comparado ao número de empregos que a sua comercialização gera. É comum que empresas de médio porte deste segmento tenham em torno de 5.000 pessoas trabalhando para eles, dos quais não mais do que 300 na linha de produção. Estas empresas são especializadas em seus nichos, produzindo a mesma coisa, muitas vezes, há mais de 100 anos; portanto, com poucas ou nenhumas intenções de mudar sua produção para outros países, mas podendo gerar uma enorme quantidade de empregos dentro de sua cadeia comercial. O dia em que formos observados por nossos governantes, eles perceberão o potencial que estamos deixando de presente aos países onde nossos turistas se encontram. No lugar de visitarem museus e monumentos, nossos cidadãos estão frequentando shoppings e outlets, lotando suas malas de produtos para serem trazidos ao Brasil sem gerar nada aqui, a não ser filas nas esteiras de bagagens e nas alfândegas. Ao substituirmos o imposto de Importação pelo regime Ad-Rem, poderemos mudar todo este panorama. As leis que possibilitam isto estão prontas. Só falta serem usadas.
A mudança nas devidas burocracias possibilitaria que o mercado de luxo se desenvolvesse mais livremente e ajudasse no aquecimento da economia. A diferença não é medida somente em investimentos, mas também em empregos que esse mercado gera. O mercado de luxo tem como particularidade a grande geração de empregos altamente qualificados no varejo quando comparado ao que gera a sua produção. A produção ocupa poucas pessoas especializadas, porém a sua comercialização chega a ocupar mais de dez vezes o número de funcionários na revenda. Isso sem falar na geração extra de empregos para a construção de novos centros comerciais, adequação dos espaços para comercializar os produtos e mão de obra na construção dos móveis de sua rede de varejo.
Portanto, o real benefício fica com o mercado que comercializa o produto e não com quem o produz. E isto o Brasil vem perdendo uma vez que as lojas existentes aqui se comportam como verdadeiros showrooms para que nossos cidadãos comprem em suas viagens ao exterior o que viram e gostaram no Brasil.
Porém, podemos considerar também as cifras envolvidas nesse mercado, e elas não são, de forma alguma, irrelevantes. O mercado de Luxo brasileiro movimentou R$ 15,7 bilhões em 2010, de acordo com a pesquisa O Mercado do Luxo no Brasil , da MCF Consultoria em parceria com a GfK. A estimativa é que, em 2011, as empresas do Luxo tenham faturado cerca de R$ 18,8 bilhões, e que em 2012 esta cifra atinja R$ 22,6 bilhões. É esperada que a taxa de crescimento se mantenha na faixa de 20% ao ano.
Com base em todos esses dados, nota-se que há várias estratégias que poderiam ser adotadas em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior para melhorar a imagem do Brasil frente ao mundo globalizado. Existem algumas opções para o Brasil se beneficiar através do mercado de luxo. Como mencionei anteriormente, este é um mercado de nicho e de tamanho reduzido, porém com uma grande visibilidade e enorme necessidade de investimentos e qualificação em mão de obra. O Brasil dispõe de alternativas, como o uso de ex-tarifário para empresas deste segmento que têm ações cotadas em Bolsa de Valores e que não competem com o produto nacional, deixando de penalizar um nicho que é complementar e que ajuda a indústria Nacional a se desenvolver sem concorrência predatória com ela.
Uma segunda possibilidade seria o uso de tributos com base em uma taxa fixa conhecido como Ad-Rem – já previsto em lei – no lugar dos impostos percentuais de importação, o que coibiria a concorrência desleal que alguns mercados impõem ao Brasil, mas que deixariam de onerar de forma proibitiva os produtos de nicho com alto valor agregado, desestimulando o seu consumo no exterior de forma que o consumidor o encontre aqui no Brasil em condições semelhantes ao que encontra em suas viagens. Temos a certeza de um aumento significativo nas vendas no Brasil e uma grande redução nos gastos de brasileiros com compras em suas viagens gerando mais empregos e investimentos em nosso país.

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